20.01.12
Reportagem da TV-Ciência sobre o iParque, aquando da visita de Leonor Parreira (S.E. da Ciência) e Carlos Oliveira (S.E. da Inovação)

Assente num novo conceito de parque tecnológico, o iParque está estruturado para que as empresas de alta tecnologia e inovação se integrem num ambiente com elevados padrões de qualidade de vida ao ar livre. Veja e ouça o que dizem de nós os membros do governo Leonor Parreira (Sec. de Estado da Ciência), Carlos Oliveira (Sec. de Estado da Inovação) e alguns dos empresários que nos escolheram.

Leonor Parreira, Secretária de Estado da Ciência

 

No centro do país, perto de Coimbra, está a ser construído um novo parque de tecnologia, inovação e ciência. O designado iParque estende-se por cem hectares, divididos em vinte e três lotes.

Assente num novo conceito de parque tecnológico, o iParque está estruturado para que as empresas de alta tecnologia e inovação se integrem num ambiente com elevados padrões de qualidade de vida ao ar livre.

O iParque está desenhado para acolher 38 empresas de industriais de produção de tecnologia e uma incubadora com capacidade para acolher 40 empresas individuais.

A primeira fase do iParque está já concluída e a apresentação pública contou com a presença de Leonor Parreira, Secretária de Estado da Ciência e Carlos Oliveira, Secretário do Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação, bem como de diversos responsáveis locais envolvidos no desenvolvimento do parque.

Carlos Oliveira, Secretário do Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação explica que os «Parques Tecnológicos são importantes a partir do momento em que sejam os embriões ou os locais onde se podem criar ecossistemas em que se criem dinâmicas criadoras de conhecimento e de valor. Portanto, tem esse valor».

Neste sentido, Carlos Oliveira acrescenta que «mais importante que as infraestruturas físicas são tudo aquilo que tem por cima destas infraestruturas físicas. Como é que se criam estas dinâmicas, como é que se colocam as universidades, as empresas e os centros de tecnologia a cooperar, os investidores a cooperar nestes locais, porque é isso que vai fazer isto diferenciador de apenas um mero investimento em imobiliário ou infraestrutura».

O iParque aparece em linha com a necessidade de haver uma maior transferência de conhecimento das universidades para a economia. Para reforçar a transferência do conhecimento e tornar mais ativa economicamente a formação avançada, o Governo pretende mudanças no ensino que facilitem a transferência do saber para as atividades empresariais.

«O nosso interesse, e julgo que o interesse das universidades também, será incentivar consórcios entre universidades e empresas, entre universidades e institutos de investigação e desenvolvimento tecnológico, que o país tem muitos e muito desenvolvidos», afirma Leonor Parreira, Secretária de Estado da Ciência.

«Também a introdução dos curricula formativos de capacidades, de preparação dos estudantes, não apenas numa vertente estritamente académica, mas de capacidade de transferência para o tecido produtivo. Aliás, na linha do que está ser feito já nos outros países. E eu julgo que é o momento, depois da maturidade que o próprio sistema científico e tecnológico do país já adquiriu, dos equipamentos que são muito desenvolvidos e muito avançados, as próprias universidades têm o maior interesse que isso aconteça», afirma a Secretária de Estado.

O Governo pretende desenvolver um Programa Nacional para o Empreendedorismo e Inovação para garantir uma maior integração do saber académico com a economia.

Carlos Oliveira explica que «precisamos de garantir que em Portugal, nos próximos anos, aquilo que é feito das Universidades e nos Centros Tecnológicos pode ser valorizado economicamente pela criação de emprego ou pela utilização por parte de empresas nacionais e empresas internacionais. E portanto, aquilo que este Programa vai querer fazer é atuar também nessa vertente de maior impacto na economia com diversas medidas, que depois na altura iremos anunciar. E não sendo um Programa fechado irão existindo medidas ao longo do tempo que vão sendo anunciadas para os diversos objetivos deste programa nacional».

A conceção do iParque assenta em cinco áreas de atuação com criação de clusters: saúde, multimédia, telecomunicações, robótica e uma área que se pretende seja transversal.

Mas Norberto Pires, Presidente do Conselho de Administração do iParque, define o Parque de C&T como um espaço aberto a empresas que atuem em outras áreas de inovação: «A área rainha da cidade são sem dúvida as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). A área rainha neste sentido, a da capacidade de criar empresas. Mas também a área da saúde e nós achamos que deveríamos misturar estas duas coisas porque Coimbra se pode diferenciar e falamos muito na diferenciação, juntando estas duas coisas e fornecendo tecnologias para a saúde, quer ao nível de software, quer ao nível dos equipamentos. Aquilo a que chamo medtec. Ou seja, isso mesmo, tecnologia para a saúde».

O Presidente o iParque explica ainda que: «tentamos compor com as empresas que associamos, a maioria das empresas nessas áreas, mas também percebendo que existe aqui na cidade e na região, um conjunto de áreas interessantes. Por exemplo, a empresa que está neste momento por trás de nós é uma empresa na área da engenharia civil e que inovou na forma de construir em estruturas metálicas. E quando avaliei a candidatura deles para cá, achei que era uma coisa que nós em Coimbra tínhamos competência para gerir, é uma cidade muita aberta a estas questões da limpeza, do ambiente».

Nesta primeira fase, o iParque conta já com várias empresas como a Cool Haven, a INNOVNANO, a MedicineOne, a Sanfil, o Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro, entre outras. A decisão de se instalarem no iParque, sendo individual, parece ter um denominador comum, como referem alguns dos responsáveis das empresas.

Augusto Vaz Serra, Administrador Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro que a decisão dependeu «em primeiro lugar pela excelente qualidade das infraestruturas que têm e a localização. É uma obra que consideramos de magnifica e de referência e que tem todas as condições para nós nos instalarmos. Para além do mais, também há outras empresas que aqui estão que também são nossas colaboradoras em alguns trabalhos que desenvolvemos».

André Albuquerque, CEO Innovnano, do Grupo CUF explica que «a escolha do iParque tem a ver com várias razões, uma delas tem a ver com a existência de uma comunidade científica importante na zona, designadamente em relação à Universidade de Coimbra, a Universidade de Aveiro, outros Centros de Investigação como o Centro Tecnológico da Cerâmico e do Vidro, que é um dos nossos parceiros, e que foram chaves na nossa decisão pelo iParque».

João Miguel, CEO da MedicineOne explica que «para nós é muito importante um espaço como este porque permite-nos fazer um investimento em nós próprios, criar de raiz um edifício que tenha as características que nós precisamos. Trabalhamos numa área muito dinâmica e, por isso, o edifício tem de refletir as necessidades da empresa. Quando o edifício é nosso nós podemos desenhá-lo com as características que a empresa necessita e, portanto, isso faz uma grande diferença para nós».

Para todas as empresas a necessidade de crescer está a levar a decisões de grandes investimentos no iParque.

O CEO da Innovnano explica que «temos neste momento uma equipa de quarenta e seis pessoas que vai crescer até ao final do ano, até às cinquenta. Pensamos no próximo ano ir até às sessenta. Vamos construir um edifício, que no entanto, pode levar até duzentas pessoas. É um edifício que terá, na primeira fase, cerca de 1500 m2, um investimento entre 1 milhão e 500 mil euros até 2 milhões de euros e que poderá haver uma segunda fase, um segundo edifício com mais ou menos a mesma área e que no total conseguiremos albergar, se vier a ser necessário até quatrocentas pessoas. É claro que é um investimento que será faseado, mas no entanto, permitirá que a empresa, se tudo correr como tem corrido nos últimos anos, possa crescer de uma forma sustentada».

Augusto Vaz Serra, Administrador Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro explica que «na primeira fase é um investimento de cerca de 2 milhões de euros e depois temos a segunda fase que são cerca de mais 3 milhões em números redondos. Que se iniciará logo que esta termine e entre em funcionamento» e acrescenta que «temos aqui essencialmente pessoas altamente qualificadas, do ramo da engenharia e operadores. E aqui teremos uma equipa sensivelmente de vinte e cinco a trinta pessoas».

Para o principal acionista do iParque, a Câmara Municipal de Coimbra, vê no novo Parque a possibilidade de aumentar a oferta de emprego qualificado na região.

João Paulo Barbosa de Melo, Presidente da Camara Municipal de Coimbra afirma que: «direi mais do que do emprego, da capacidade de gerar oferta de trabalho, oportunidades. Coimbra tem de ser cada vez mais uma cidade que oferece oportunidades àqueles que empreendem e têm capacidade para empreender. E é sobretudo nesta capacidade de empreender que depois gera emprego, gera, riqueza, gera valor acrescentado. É neste ponto que estamos aqui a fazer um investimento que é estruturante para a nossa cidade».

O investimento previsto para o iParque é perto dos 100 milhões de euros, repartido entre público e privado. Norberto Pires explica que: «o parque tem um investimento total público na ordem dos 21 milhões de euros. Se contarmos com as infraestruturas, nós estamos numa parte das infraestruturas que representam 30% do total e com isso adicionarmos também os edifícios, o Business Center e uma incubadora de segunda fase, uma aceleradora de empresas. Com a aquisição dos terrenos, tudo isso equivale a essa ordem de grandeza. No entanto, o investimento privado é muito superior, nós estamos a falar aqui num investimento total muito perto de 100 milhões de euros, 95 ou 96 milhões de euros se contarmos com o investimento das empresas. O investimento privado é cinco ordens de grandeza superior ao investimento público».

Numa segunda fase, o iParque espera atrair várias empresas, uma vez que apresenta vantagens de atratividade muito competitivas. «Temos mais-valias para apoiar as empresas, essas mais-valias estão ligadas ao conhecimento e aos Centros de Transferência de Tecnologia, temos um Parque bem pensado e estamos aqui de forma eficiente a responder», explica Norberto Pires e acrescenta que «isso é o que vai fazer com que sejamos atrativos para outros. Porque se pensar bem, as empresas fora do país vão pensar em Coimbra porque razão, há vários sítios em Portugal e fora de Portugal com boas condições, com incentivos à instalação que são competitivas relativamente a Coimbra, portanto, temos que ganhar por esta forma. Demonstrar que o ciclo aqui funciona, o ciclo de inovação aqui funciona, temos as capacidades para a montante e a jusante ajudar as empresas e isso vai ser a nossa mais-valia».

Para além das áreas destinadas às empresas industriais e à incubadora tecnológica, o iParque contará com um Business Center, uma área habitacional e uma zona desportiva que vão abrir também o parque à cidade enquanto espaço de lazer.

 

 
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