Os sete membros da delegação de Lund (Suécia), de visita a Coimbra, a propósito da assinatura de um protocolo de geminação entre os dois Municípios, deslocaram-se hoje a Antanhol para conhecerem o projecto Coimbra iParque. Apesar da experiência de 25 anos do IDEON (parque tecnológico de Lund), a comitiva garantiu que “Coimbra viu o que nós não vimos”.
A necessidade de dar vida ao parque industrial mesmo fora das horas de trabalho era algo que quem planeou o IDEON, – o parque empresarial, científico e tecnológico de Lund já com 25 anos e que acolhe algumas das mais pujantes empresas suecas – não pensou. Annika Annerby Jansson, Presidente da Câmara de Lund, explicou à sua comitiva e aos restantes convidados do Coimbra iParque (cerca de uma dezena), que a preocupação existe agora.
“À semelhança do que o iParque está a fazer em Coimbra, em Lund está a nascer um projecto chamado Lund North East, que vai combinar negócios com serviços e casas de habitação. Como aqui, as principais vias de comunicação estão perto e a ligação mais directa da cidade ao parque prevê a futura criação de uma linha de metro de superfície”, esclareceu.
Apesar do elogio, Carlos Encarnação, Presidente da Câmara de Coimbra, fez notar que “nós estamos a começar com 25 anos de atraso. A altura para começar um projecto destes era precisamente há 25 anos!”, apontou.
O projecto Lund North East é a grande aposta no futuro. No entanto, a cidade aguarda ainda a decisão da União Eurpeia sobre um outro grande projecto, o chamado European Spallation Source. Trata-se de um centro de investigação científica com base no uso de neutrões que está planeada para ser construída na Europa. O processo de escolha de localização ainda está a decorrer, sendo os concorrentes de Lund, Debrecen (Hungria) e o País Basco (Bilbao). “Se formos os escolhidos, estamos a falar de um projecto verdadeiramente monstruoso.Teremos de receber cerca de 5000 investigadores”, revelou a Presidente.
É toda a experiência já reunida em Lund na implementação de áreas industriais cujo foco vai para a inovação que está na base do interesse do Coimbra iParque. “Seria muito benéfico para nós aprender com quem já sabe fazer”, referiu Norberto Pires, Presidente do Conselho de Administração do Coimbra iParque. “Tal como no caso do iParque, o IDEON também tem uma forte participação da Universidade local”, acrescentou. Informação aliás corroborada prontamente por Annika Annerby Jansson, que garantiu que o maior apoiante dos projectos do município é o Reitor de Lund.
Transformar conhecimento em investimento
O programa preparado pelo Coimbra iParque para a manhã e início de tarde de Sábado, além da visita à obra, incluía uma breve apresentação intitulada “Inovação e Empreendedorismo em Coimbra” e uma visita ao IPN Incubadora. A breve palestra teve lugar no Restaurante Quinta da Romeira, onde posteriormente decorreu o almoço, e foi feita por Fernando Guerra (GATS - Gabinete de Apoio às Transferências do Saber da Universidade de Coimbra) e Jorge Dias (Vice-Presidente do Instituto Pedro Nunes).
Fernando Guerra e Jorge Dias explicaram aos presentes a necessidade absoluta que a Universidade de Coimbra (UC) tem de transformar boas ideias em investimento. O primeiro descreveu os procedimentos do GATS (http://www.uc.pt/gats) nesse sentido, desde o registo de patentes às relações com as empresas. O segundo enfatizou a necessidade da internacionalização. Mas foi a falar das dificuldades de Coimbra em afirmar-se como um pólo de investimento que foram encontradas mais semelhanças com Lund. Se Coimbra sai a perder por estar num país em que Lisboa absorve a maior parte do investimento, Lund sofre do mesmo mal com Estocolmo a retirar investidores ao restante território sueco. “O IPN existe para tentar contrariar esta realidade”, aproveitou para dizer Jorge Dias.
Criado em 1991, por iniciativa da Universidade de Coimbra, o Instituto Pedro Nunes (IPN) tem como missão contribuir para transformar o tecido empresarial com base no relacionamento universidade/empresa, actuando em três frentes: investigação e desenvolvimento tecnológico, consultadoria e serviços especializados; incubação de ideias e empresas; e formação especializada e divulgação de ciência e tecnologia.
Através da sua Incubadora de Empresas, visitada já depois de almoço, o IPN promove a criação de empresas spin-offs, apoiando ideias inovadoras e de base tecnológica vindas dos seus próprios laboratórios, de instituições do ensino superior, em particular da Universidade de Coimbra, do sector privado e de projectos de I&DT em consórcio com a indústria.
O novo edifício onde está actualmente instalada a IPN Incubadora - separada há cerca de um ano do restante Instituto - tem cerca de 50 salas para empresas e 90 por cento de taxa de ocupação. “Desde 1996, já acompanhámos cerca de 100 empresas. 80 por cento delas continuam no mercado”, explicou Paulo Santos, Director Executivo da IPN Incubadora.
“O IPN tinha de ser parceiro do iParque. Partilhamos objectivos e parcerias. Nesta visita, pareceu-nos coerente mostrar o trabalho já desenvolvido por esta instituição, com a qual estamos a trabalhar para reunir experiências e alargar horizontes”, explicou, a propósito, o Presidente do iParque.
Balanço positivo
À saída do IPN Incubadora foi altura de trocar contactos e fazer as despedidas, uma vez que o programa preparado pelo iParque chegara ao fim. A tarde prosseguiu para a delegação sueca com uma visita às ruínas de Conimbriga. À noite, o Grupo Alma de Coimbra (coro e grupo de fados) actuará, especialmente para a comitiva, no Café Santa Cruz, num evento que marca o encerramento do programa da deslocação a Coimbra.
Amanhã será altura da comitiva de Lund regressar a casa, levando na bagagem as recordações da cidade dos estudantes. “O nosso objectivo era que a delegação de Lund ficasse com uma boa impressão de Coimbra e da forma como a nossa cidade vê e se prepara para o futuro. E acho que conseguimos”, concluiu Norberto Pires. Prometida ficou uma visita a Lund.
- Material Adicional
2008-09-06 Visita Lund 1 (606.25 kB)
2008-09-06 Visita Lund 2 (595.16 kB)










