O Salão Nobre da Câmara Municipal de Coimbra recebeu, ontem, a sessão pública de apresentação das primeiras cinco empresas parceiras do Coimbra iParque. São elas: a Wit-Software, a MediaPrimer, a Cnotinfor, a BetterSoft e o CTCV – Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro.
São todas de Coimbra, todas incorporam alta tecnologia e I&D (Investigação & Desenvolvimento) na área da ciência e tecnologia e inserem-se nos cinco clusters fundamentais - Ciências e Tecnologias Biológicas, da Vida e da Saúde, Multimédia e Ciências e Tecnologias da Informação, Telecomunicações, Robótica e Automação Inteligente e Projectos Transversais.
A Wit-Software - uma empresa criada em 2001 como spin-off da Universidade de Coimbra que se dedica à criação de software para a Internet Móvel e Telecomunicações - foi a primeira a assinar o protocolo com o Coimbra iParque.
Num discurso curto e incisivo, Luís Silva, o CEO, explicou que a sua empresa “tem escritórios em Coimbra e em San Jose, California, mesmo no coração de Silicon Valley”, “clientes na Europa, Estados Unidos e no Médio Oriente” e que “trabalha para uma das maiores empresas de telecomunicações do mundo, a Vodafone”. “Estamos a crescer, temos dezenas de empregos em aberto e estamos em instalações arrendadas que estão a chegar ao seu limite de espaço”, salientou.
Neste contexto, vê no Coimbra iParque “um investimento estratégico que tem de ser levado até ao fim”, “para que empresas como a WIT-Software e as demais se mantenham por Coimbra”.
Apesar das limitações que reconhece à cidade onde tem as suas raízes - “Estamos longe dos aeroportos, dos centros de decisão, longe da Europa, a cidade não tem um clima tecnológico, e o arrendamento é, infelizmente, dos mais caros do país” -, o empresário acredita que “é possível ter em Coimbra uma empresa competitiva no mercado global”. Por isso mesmo deixou um desafio aos dirigentes da cidade e à administração do iParque: “Transformem aqueles terrenos de eucaliptos numa área de excelência empresarial.” “Gostava que o iParque e o Tecnopólo se tornassem realidade e que Coimbra fosse uma pequenina Califórnia na costa Oeste deste continente. A escolha está nas vossas mãos”, concluiu.
A MediaPrimer, responsável pelo desenvolvimento da identidade visual do Coimbra iParque, foi a segunda empresa a assinar o protocolo para a instalação no parque que está a nascer em Antanhol. José Carlos Teixeira, o CEO deste outro spin-off da Universidade de Coimbra especializado no desenvolvimento de produtos e serviços nas áreas de Software, Web & Multimédia e Design &
Comunicação, garantiu que “a MediaPrimer tem capacidade para desenvolver soluções integradas e globais”.
Falando com entusiasmo do trabalho já realizado, destacou, na área do software, o desenvolvimento de soluções integradas de Cadastro, Controlo e Telegestão de Infra-estruturas de Saneamento: Abastecimento de Água e Drenagem de Águas Residuais e Pluviais. No que diz respeito à Web & Multimédia, a empresa é responsável por sistemas de informação locais e para a Internet, bem como aplicações multimédia. “E através da área de Design & Comunicação marcamos a diferença nos nossos produtos, uma vez que oferecemos soluções completas e diferenciadoras de comunicação e imagem, idealizando, produzindo e implementando suportes de comunicação para marcas em todos os aspectos da sua actividade comunicacional”, garantiu.
O CEO referiu ainda que a MediaPrimer foi distinguida pelo desenvolvimento do sítio web oficial da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais - considerado o melhor Serviço Público on-line pelo Diário Económico e pela consultora Deloitte&Touch - e deu a conhecer o trabalho executado para a
Candidatura da Universidade de Coimbra a Património Mundial da UNESCO, que inclui um ambiente virtual interactivo em 3D desenvolvido pela empresa onde é possível navegar em tempo real pela Universidade de Coimbra.
Secundino Correia é o Chief Innovation Officer da Cnotinfor, uma empresa de inovação focada na área da Aprendizagem Enriquecida pela Tecnologia, cujo mote é “tecnologia para todos”. Depois de apresentar um pequeno resumo dos parceiros de negócios da instituição e de referir que a empresa está presente nos mercados de vários países além de Portugal - nomeadamente no Brasil, Reino Unido, Moçambique, Espanha e Índia -, este responsável interrompeu a apresentação para referir que, “pelo que já ouvi aqui, há vários parceiros interessantes em Coimbra, mas andamos todos de costas voltadas. Espero que o iParque seja a oportunidade que todos esperamos para criar sinergias”.
Com vários projectos de Investigação e Desenvolvimento destinados à área pedagógica, a Cnotinfor lançou recentemente duas marcas, a “Imagina, Cria e Constrói” (software educativo) e a “Escola e-fixe” (solução integrada para o ensino e a aprendizagem que inclui, software, hardware, formação, acompanhamento, avaliação e certificação).
Relativamente ao Coimbra iParque, Secundino Correia tem grandes expectativas, mas também advertências: “É uma boa oportunidade de negócio e acreditamos que será um sítio onde vai dar gosto trabalhar e onde serão criadas muitas sinergias de proximidade, mas, para que isso aconteça, é necessário que sejam criadas efectivamente todas as acessibilidades que estão prometidas, isto é, não só estradas, mas também infra-estruturas comuns e redes de banda larga, tudo a custos acessíveis às empresas”.
“Nós começámos há 20 anos, numa altura em que os primeiros computadores chegavam às empresas.” Foi desta forma que Jorge Marques deu início à apresentação da BetterSoft, uma empresa que se dedica exclusivamente ao desenvolvimento de aplicações informáticas e sistemas de informação. “Éramos quatro alunos do primeiro curso de Informática e Gestão da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra com pouco dinheiro, mas cheios de entusiasmo”, disse.
Actualmente, a empresa tem escritórios em Portugal e no Brasil e parceiros comerciais em Portugal, Angola, Moçambique, Espanha e Brasil. É especializada em soluções para Distribuição e Logística, Mobilidade e Colaboração Organizacional. Segundo Jorge Marques, a Bettersoft possui três linhas distintas de produtos, todas da responsabilidade da equipa de desenvolvimento de software da empresa: ERP para Distribuição & Logística, Portais Empresariais e Soluções de mobilidade para PDAs e telemóveis.
No seu longo rol de cerca de 800 clientes estão a Nestlé, Coca-Cola, BP, VMPS ou Central Cervejas. “No ano passado 52 clientes passaram a usar tecnologia BetterSoft. Trata-se de um cliente novo por semana!”, salientou o CEO. A BetterSoft quer continuar a crescer e vê “no iParque um projecto com o entusiasmo necessário” para permitir que isso aconteça.
“Um novo espaço para a expansão da actividade” é o que procura o CTCV – Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro, de acordo com as palavras do seu Director Geral, Alcântara Gonçalves.
O CTCV é uma instituição de utilidade pública, sem fins lucrativos, criada para dar apoio técnico e científico às indústrias nacionais da fileira da construção e do habitat, com o objectivo de promover o desenvolvimento e a qualidade dos produtos e dos respectivos processos industriais. Acreditado e certificado por numerosas entidades e laboratórios nacionais e internacionais, o CTCV tem competências para, entre muitos outros exemplos, fazer auditorias no âmbito da Qualidade, Ambiente e Energia ou para fazer ensaios para a marcação CE.
A futura extensão do CTVC permitirá "criar novas áreas" de ensaio e demonstração de produtos da construção e do habitat. "Vamos buscar valor acrescentado para os produtos e novas soluções técnicas", adiantou Alcântara Gonçalves.
Recordando que a cidade perdeu nos últimos anos "uma parte importante daquilo que era o seu tecido industrial", o director-geral considera que o iParque "pode ser a possibilidade de Coimbra inverter" essa tendência. “O que esperamos do iParque é que seja um espaço onde se privilegie a sustentabilidade, as boas práticas e um novo conceito para a economia da Região. É uma oportunidade para Coimbra e Coimbra merece-a”, concluiu o responsável.
O encerramento da sessão esteve a cargo do Presidente da Câmara Municipal de Coimbra e Presidente da Assembleia-geral do Coimbra iParque, Carlos Encarnação. Identificando-se como um “avô informático” por ter sido dos primeiros a reconhecer à informática a importância que tem actualmente, o autarca admitiu que “esta é uma das áreas a que temos de dar atenção quando falamos de inovação, quando queremos estar à frente, quando queremos fazer primeiro, quando queremos começar”.
“Neste contexto, a sociedade pode ter duas atitudes em relação a este tipo de empresas: deixá-las fazer o seu caminho sozinhas ou envolver-se”. Coimbra, segundo o edil, escolheu envolver-se e por isso disponibilizará 100 hectares, no Coimbra iParque, para a criação de áreas empresariais estruturadas. O autarca acredita que Coimbra sempre teve tudo para conseguir ser competitiva no panorama empresarial, faltava apenas o investimento público. “Hoje há investimento público onde antes havia empresas à procura de espaço”, resumiu.
Para concluir, Carlos Encarnação fez questão de dizer que “pode faltar dinheiro para tudo, mas nunca para o iParque”, salientando, “para que não restem dúvidas” que “este é o projecto definitivo do meu mandato e por isso a Câmara Municipal não vai deixar o iParque para trás”.









